sábado, 18 de agosto de 2012

Integrando a Educação, ou desintegrando-a?


http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1138074-mec-vai-propor-a-fusao-de-disciplinas-do-ensino-medio.shtml

Fico pensando o seguinte, uma suposição:
Digamos que existam mil professores de História, mil de Geografia, mil de Filosofia e mil de Sociologia, mas que haja uma carência de mil para cada disciplina - haveriam duas mil turmas precisando de cada uma dessas matérias (lembrando que, na verdade, são mil turmas, só que todas com essas quatro matérias nas suas grades), o que significam oito mil turmas.
Com essa medida, em nome da interdisciplinaridade, colocaria-se os professores de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, ensinando Humanidades. Assim, resolve-se não só o problema da carga horária, como também o da falta de professor.
O que acontecerá, o "jeitinho" professor de História ensinando não só História, mas também Geografia, Filosofia e Sociologia, o mesmo ocorrendo com as outras matérias. Com exceção da Matemática, que ficou em uma área a parte.
De onde tirei essa ideia? Dessa frase da notícia:

"Outra vantagem, diz, é que os professores poderão se fixar em uma escola.
Um docente de física, em vez de ensinar a disciplina em três colégios, por exemplo, fará parte do grupo de ciências da natureza em uma única escola.
Ainda não está definida, porém, como será a distribuição dos docentes nas áreas."


Viram? Provavelmente se farão oficinas de capacitação, contratação de professores ou concessão de bolsas para a produção de material didático, e... pronto! Os professores estarão prontos para trabalhar de forma integrada!
O mais maneiro, é que tudo se resolve até o final do ano!!!

http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/12228882.gif


O que isso dá a entender da visão do Governo:
1. Matemática é diferente das outras disciplinas, embora Galileu tenha dito que o universo está escrito em linguagem matemática. O que mostra a pertinência dessa disciplina nessa área, bem como justificaria sua inserção junto com Português, Língua estrangeira, já que é linguagem (ou em último caso, por mais estranho que pareça, com humanas, pois a Matemática é derivada da Filosofia) - é a visão do senso comum, legitimando uma visão racionalista, quantitativista.
2. Matemática é mais difícil do que as outras matérias, por isso, tem que ficar separada e ter uma carga maior. Duvido que os alunos que muitas vezes são bons e Matemática, e que têm resultados bem inferiores ou regulares em História, Geografia, Filosofia e Sociologia concordassem com isso (embora seja comum ver seus colegas comentando "poxa, vc é tão bom em Matemática, como pode ser ruim em História???")  - é a visão do senso comum, desvalorizando uma visão humanista, relativista.
3. Matemática é mais importante, por isso tem que ser diferenciada. Porém, as questões matemáticas são escritas em português, as questões de lógica evidenciam a importância da interpretação. Há questões matemáticas que derivam da Filosofia (um "a + b = c" é uma tradução matemática do "tese + antítese = síntese"). Muitos problemas matemáticos surgiram e/ou foram aplicados/legitimados em função de necessidades práticas, situações sociais, etc (como o desenvolvimento da estatística associado ao fortalecimento do Estado-nação, do processamento de dados ligado ao aumento da produção, etc.)  - é a visão do senso comum, limitada, pequena.
Cabe ressaltar que em nenhum momento estou desmerecendo a disciplina Matemática, tão importante quanto a minha e as demais, porém, as mudanças do Governo, ao invés de contribuírem para a quebra de preconceitos e problemas, parecem referendá-los.
A ideia de integração de disciplinas é interessante, eu mesmo sou favorável, porém, tudo parece mambembe, improvisado. Enquanto os países referência em educação possuem planos projetados para décadas, nós pensamos no curto prazo - o resultado ruim no Ideb (alguém esperava que fosse diferente?) motiva uma mudança radical sem maiores reflexões. Essa é uma pena, a nossa educação acaba dependendo de bons professores, de bons funcionários e de bons alunos, no mais, tudo é deixado ao sabor dos ventos.

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